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060: Exausta

Este é o primeiro dia em SEMANAS que não saio à noite. Tinha 3 convites para sair, mas estou tão cansada e tão atolada de trabalhos que não posso pensar em muito mais. Daí estar a escrever tão pouquinho ultimamente. Estou a dar o meu melhor para ter uma vida social decente e memorável, estudar e conseguir ter tempo para estar a par das coisas em Portugal.

Perdoem-me se os posts forem escassos nas próximas 3 semanas. Há muito trabalho para ser feito!

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036: Sozinha

Hoje sinto-me sozinha. A casa está vazia. É a minha última Quinta-Feira em Portugal até Dezembro. Nunca estive fora tanto tempo. 3 meses parecem-me anos ultimamente. A única vez que estive sozinha sem a minha família ou sem os meus amigos foi este Verão na semana da colónia. E mesmo assim tinha a amiga que me convidou para participar. Uma semana a tomar conta de meninos não se compara a 3 meses de estudo noutro país.~ielle

Não sei como vão ser os meus companheiros de quarto. Devemos ser 6 ou 7. E se eu não gostar de nenhum? No facebook, toda a gente da residência parece um party-animal. Raparigas de mini-saia e rapazes completamente bêbados. Eu não sou nem nunca conseguirei ser assim. Não gosto de festas, não gosto de músicas “remix” e não gosto de beber – especialmente com pessoas que mal conheço.

Vou estar cheia de saudades dos meus pais, do M, do meu namorado, da minha família, dos meus amigos, da minha cama! Vou ter mesmo muitas saudades da minha cama de casal, com lençóis fofinhos e comprimento suficiente para eu não ficar com os pés de fora. Vou ter saudades do meu quarto gigantesto – mesmo à estilo de filha única – com os meus DVDs e CDs e livros. Das fotos dos meus amigos e família coladas no guarda-vestidos e das minhas obras-de-arte em papel e crayons espalhadas pelas paredes.

Vou ter saudades de ser desarrumada e de poder dormir até tarde aos fins-de-semana. Vou ter saudades dos assados da minha mãe ao Domingo e da cara de desaprovação do meu pai quando, nos Sábados à tarde, me convida para ir passear ao parque ou à praia e eu digo que não, porque prefiro ficar a jogar computador. Vou ter saudades do M bater à porta do meu quarto, porque nunca aprendeu que eu posso estar a fazer o que quer que seja que ele continua a poder entrar quando quiser.

Vou ter saudades das Sextas-Feiras à noite, quando saímos os 5 a um barzito jogar bilhar e matraquilhos ou ir ao cinema e depois passar duas horas à porta da minha casa a falar e a rir e a acordar todos os vizinhos. Ou de ir ao shopping, sozinha, passear, ver lojas, passar horas na Bertrand e, às vezes, ver um filme. Vou ter mesmo saudades do cinema do MEU shopping. Sim, é meu. É mesmo à beira de minha casa e eu vou aquele cinema mais do que qualquer pessoa que conheça.

Lembro-me de um Verão, com a J, em que, nas duas semanas aborrecidas de Julho antes de irmos para a aldeia, devemos ter visto 10 filmes. Foi no Verão – brilhante, devo acrescentar – em que saiu Tróia, Hidalgo e Van Helsing e nós passamos o resto do ano saciadas de hot men goodness.

Sim. Vou ter saudades disto tudo.
Mas, suponho, também vou ter saudades da minha cidade Erasmus quando voltar. Mas essas saudades parecem muito longínquas e hoje, sinto-me sozinha.

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018: Eagles

Peço imensa desculpa, caros leitores (se os há), pelo atraso neste post 18. Entre ajudar nas preparações para a colónia de férias, na qual eu vou ser monitora – como acho que já mencionei, saídas semi-falhadas com amigos e dias passados a namorar, ainda tive tempo para ir ver os Eagles com o meu tio, a irmã dele e o meu darling primo M – mas estranhamente não tive tempo para aparecer por aqui. Andei um bocadinho ocupada, como qualquer (ex-)adolescente em época de férias. Há sempre coisas para fazer quando não temos  de ir àquelas aulas chatas que nos ocupam tanto tempo.Group_2_060_v04

Mas bem, falando do concerto desses SENHORES que são o Glenn Frey (que dedicou uma música à filha que, pelo que percebi, estava a trabalhar no catering na tour), o Don Henley – cuja voz é extraordinário, imo, o mítico Joe Walsh e Timothy B. Schmit (que pessoalmente é o meu favorito desde que descobri ontem que é ele que canta o Love will keep us alive, que me faz chorar every.single.time.), tenho-vos a dizer que, se não foram, não sabem o que perderam. Para começar, são excelentes músicos com vozes captivantes que hipnotizam o público, que, depois de os seguir durante todos os seus 5608 anos de carreira, já sabe todo o enorme reportório de cor.

However, mesmo não fazendo parte desse público – até porque nem tinha idade suficiente -, foi um concerto encantador. Sim, encantador! É mesmo essa a palavra. Não conhecia a maioria das músicas, porque o meu pai também não tinha os albums todos e ele foi o meu Obi-Wan musical durante toda a minha vida, mas não foi por isso que deixei de entrar no espírito do concerto. A música era boa, o clima era agradável e o Pavilhão Atlântico nem estava a abarrotar e permitiu ver e ouvir tudo muito bem – apesar de ter de fazer um aparte para sublinhar uma certa falta de acústica apropriada para albergar espectáculos de música.

De resto estivemos 45min na fila dentro do parque de estacionamento do centro Vasco da Gama e mais 15 minutos a perceber como nos virmos embora para casa.

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016: Sono desregulado

Estou com o sono absolutamente desregulado. Esta última semana tem sido impossível! Deito-me muito tarde e acordo tarde, mas nunca ultrapasso as 6 horas de sono – o que, para mim, é como morrer um bocadinho. As minhas 9 horas são sagradas. E surpresas inesperadas – especialmente quando envolvem festas e hospitais dão-me a volta à cabeça.

11 de Julho (Sábado): A Angariação de Fundos, como já vos falei, em que estive a trabalhar ’round the clock das 3h da tarde às 3h da manhã.

12 de Julho (Domingo): Com um exame na Segunda, fui armada em chica-esperta para a Fnac passear (e acabei por comprar 2 DVDs – Into the Wild e o 5º Harry Potter por 5€, com uns cheques-ofertas que tinha em casa), depois a casa da minha avó e voltei para casa para passar a tarde a dormir. Estudei só às 8h da noite, mas o meu namorado convidou-me e lá fui eu dar uma volta. Coisas de adolescentes!intothewild

13 de Julho (Segunda): Com os anos da minha amiga nesse dia, e com um exame à 1h da tarde, andei numa salsichada. Fui ao exame, fui à baixa com o meu namorado comprar uma prenda para ela, fui ao shopping ao lado de minha casa (sozinha, que o P amuou porque era muitas compras para a pobre da cabeça dele)  e comprei à pressa uma “toilette” – a.k.a. roupa que condiz minimamente – para servir de prenda de aniversário dos meus pais para mim e voltei para casa para me arranjar.

Como a festa era na zona do P e eu fico na direcção contrária, ele achou boa ideia não me vir buscar de carro. Então lá fui eu, pobre&abandonada&assediada por lixeiros, às 10h da noite, para a paragem. Escusado será dizer que quando cheguei dei-lhe um daqueles olhares à dramatic chipmunk.

A festa foi gira. Comemos bolo – o que é sempre bom- e fomos ao quintal ver os patos de estimação dela. E sim, não é um typo. Ela tem patos.de.estimação. Cada maluco com sua mania, I guess. Chegadas as 2h da manhã começa a game session com Pictionary com mímica, em que um aceno leva a associações com semáforos (O que é deveras estranho); um bocadinho de Trivial Pursuit, o qual eu já sou jogadora de eleição porque a minha geração é inculta e não conhece coisas como os Creedence Clearwater Revival *tosse*noobs*tosse*; e uma última rodadinha de póker com dinheiro do monopólio.

14 de Julho (Terça) a.k.a. My Bday: Acordei eram 11h da manhã com 20 mil chamadas telefónicas – e sim! São mesmo precisas muitas chamadas até eu dignar alguém de me levantar. Comi, fui comprar uma camisa extremamente cara com a minha tia – isto das más influências!, passei 2 horas de seca no cabeleireiro até ser atendida, fui buscar a tarte de bolacha à Casa dos Profiteroles (que é uma maravilha, btw) e fui a casa vestir a dita camisa e umas calças de ganga extremamente baratas que comprei sozinha. E ainda tive tempo de chegar atrasada ao restaurante! O que é um bocadinho pior quando eu o reservei para as 8h e, como sabia que somos todos uns atrasados, mandei toda a gente estar presente às 7h30!

Foi um jantar engraçadíssimo! A comida era all-you-can-eat, o que leva os machos dos meus amigos a comerem 5 pratos diferentes D: Depois andam a vomitar, que é bem-feito! Rimos-nos muito com os empregados brasileiros, que eram muito simpáticos, e acabamos por ir comer o bolo à praia.

Já eram 10h quando saímos do dito restaurante e demos um salto à praia. Era prendas por todo o lado e sumos e bolo nos bancos à beira-mar! Foi pena é ter comprado bolo a mais – bem ao estilo português -, e também não tinha coragem de andar a oferecer às pessoas que phanabi @ Flickrassavam, como os meus amigos me desafiaram xD

A noite acabou às 4h da manhã, depois de uma sessão de Brüno, numa sala de cinema assustadoramente cheia de homens.

15 de Julho (Quarta): Para começar bem a minha nova década, o cinema perto de minha casa não tinha sessão da meia-noite do Harry Potter e o Príncipe Misterioso. No entanto, antes de saber tal informação telefonei a um amigo meu, let’s call him D, para confirmar se ele podia vir connosco. Estava no hospital. Mas avisar a gente nicles. Se não tivesse telefonado ele ficava lá sozinho o dia todo.

Ora saio eu e o P do shopping e lá vamos ao hospital. Estava o pobre rapaz desde as 11h30 e já eram 3h. Andamos para trás e para a frente a procurar informações mas ninguém dizia nada e a recepção para o telemóvel dele era temerosa. Mas tínhamos de ir buscar o meu primo M de uma actividade lá perto às 6h e achamos que o D ia sair no entretanto. Pfft, somos mesmo ingénuos.

Eram 7h e depois de muito insistir lá nos disseram em que sector ele estava. Com a ajuda da minha tia, claro, que é médica – não lá, mas conhece gente ainda. Zona laranja. Hm. That sounded bad. Mas o M tinha de ir para casa e a minha avó dava-me com um camião TIRE em cima caso eu o mandasse sozinho para casa. E lá fui eu levá-lo a casa safe and sound e voltei asap para a beira do P, já apetrechada com sandes de fígado e de queijo&fiambre – que ele é esquisito.

Long story short, entre TACs e brincadeiras com cadeiras de rodas, pacientes com Gripe A e seguranças a fugirem de quem quer que tivesse uma máscara e muitas horas de espera, saímos às 4h da manhã do Hospital pelo menos a saber que o D tinha líquido no baço e tinha de ficar internado.

Mas às 4h da manhã, pelos vistos, os autocarros não são precisos à porta de hospitais importantes e tivemos de apanhar um taxi e gastar 5€ desnecessários. Quando chegamos ainda fomos a casa do D. E porquê, perguntam-me vocês?Ricardo Pichler @ Flickr

O rapaz tem uma cadelinha em casa – daquelas tipo Scotex, um Labrador Retriever – e a bicha não comia desde a noite anterior. Ora, surpresas das surpresas, quando chegamos a casa do D – ela tinha dado a volta à casa-de-banho toda e, como cadelinha da Scotex, tinha espalhado papel higiénico por todo o lado, juntamente com as maravilhosas prendas de vómito e fezes para eu e o P limparmos. A minha noite não podia melhorar!

5h da manhã, a cheirar a cão, fui finalmente para casa.

16 de Julho (Quinta): Acordo ao meio-dia para ir ver ao mail da faculdade que uma das minhas profs se lembrou que eu ia ter oral ás 14h30. O pânico. Almoço a correr, salto para o autocarro e chego lá para saber que ela é maluquinha – que eu já suspeitava – e que não lhe tinha passado pela cabeça que eu poderia precisar da informação de que era FACULTATIVO porque eu tinha tido positiva a tudo e nem me podia mudar muito a nota – a não ser se tivesse 19 ou 20 – se fzesse oral.

Mas era muito trabalho escrever à frente do meu nome “-facultativo”.

Foi giro por acaso. Muito giro.

E, pronto, eram 4h e tavamos nós outra vez no hospital. E ainda bem que sou dadora de sangue. Um dos cartões de visita – que o D está agora na àrea da cirurgia – ficou com uma amiga dele e eu e o P somos, obviamente, dois.

Enfim, o meu sono está todo desregulado.

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