- Fazemos muitas sestas
- O lanche da manhã e do lanche da tarde são refeições tão importantes como o almoço e o jantar
- Ficar em casa a jogar jogos com amigos é perfeitamente aceitável
- Assim como o é ver filmes da Disney
- Atravessamos a rua sem olhar para ver se vêm carros
- Usamos a mochila nos DOIS ombros
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044: Estereótipos
Sep 30
Estou em Inglaterra há dumas semanas. Não é muito tempo, mas já me ambientei à atmosfera do país – e não estou só a falar do tempo, que até tem estado bem agradável – e já contactei com mais ingleses do que preferiria nos meus inúmeros passeios de casa para a Universidade e da Universidade para casa, numa roda-viva para tentar arranjar equivalências de disciplinas.
Tenho o defeito de me rir sozinha e falar para o boneco, especialmente quando me rio de alguém. Felizmente, aqui, ninguém me percebe e tudo tem estado bem tranquilo. Até me dou à liberdade de mandar uma boca ou outra às meninas de mini-saia, top cabeado e cachecol, com as perninhas roxas de frio, numa qualquer noite de ventania e 10ºC.
Porque, se querem mesmo saber, os ingleses, tanto quanto vi em 14 dias, vivem dos seus estereótipos:
- Vestem-se tão tão tão mal. Não estou a brincar: vi uma senhora negra toda vestida de amarelo fluorescente. E isso inclui-a os sapatos. Desmanchei-me a rir na rua e ninguém percebe porquê, porque estão todos tão habituados a vestirem-se com a primeira coisa que lhes vem à mão que já nem notam.
- Chegam sempre sempre a horas. As minhas aulas começam ao minuto, às vezes até começam mais cedo um bocado. Toda a gente está na sala 2 minutos antes de começar e toda a gente se cala instantaneamente – mesmo um auditório de 150+ pessoas – quando o professor inicia a aula. E isto também se aplica aos transportes públicos. Se na paragem diz que chega às 11.12 minutos, é a essa hora que o autocarro chega.
- Chá cura tudo. Mas também o cafézinho é essencial. Há bares em todo o lado e toda a gente anda com o seu copo de café atrás.
- Quando está sol toda a gente sai de casa.
Na primeira semana esteve muito sol – agora nem tanto. Anda meio enublado – então eram aos montes a passear pelos lindos campos da Uni, a apanhar sol e, basicamente, a aproveitar os dias bons enquanto duram. Parecia um dia de Verão logo. 20ºC e estava toda a gente vermelha e a transpirar. Era muito engraçado.
Claro que há coisas que não são NADA como as imaginamos. Os ingleses, ao contrário do que toda a gente me avisava sempre, são pessoas muito amistosas, que se preocupam uns com os outros. Não me senti nada excluída de nada, sendo estrangeira, e tanto alunos, como professores, como todas as pessoas que encontro pela cidade, ajudam imenso e são muito compreensivos, já que falar inglês com um nativo é muito mais stressante e eu, e muitos outros com certeza, bloqueio e nem me sei bem explicar. Aliás, eles vêm mesmo ter comigo quando eu pareço perdida ou confusa, perguntar-me se preciso de ajuda, o que, geralmente, é o caso.
Não estava nada à espera, confesso, desta atmosfera amigável e solarenga. Alguém tem mais algum estereótipo inglês que quer que eu tente decifrar se é verdade ou mentira?
A minha nova obsessão de verão é a adaptação à televisão da história do filme 10 coisas que odeio em ti com o Heath Ledger e a Julia Stiles – uma das minhas all-time favourite actresses. Apesar do cachopo da serie não ter nem metade do charme do Heath, não deixa de ser bastante sexy com aquele vozeirão dele. A badass da Kat está interessante, se bem que acho mais piada à suposta goodie-goodie da Bianca que só quer é ser popular apesar de andar sempre com um gato de peluche atrás.
Não sei bem qual prefiro a serie ou o filme, o que é estranho acontecer. Normalmente sei logo se gosto mais de uma versão, de uma dapatação, ou do original. Especialmente quando se trata de filmes a partir de livros. E sim, a preferência vai quase sempre para o livro. Mas neste caso a adaptação é porreira e – dare I say it? – faz frente ao original.
O casting foi bom, excepto com o Patrick Verona (a personagem de Heath Ledger no filme) que parece fora de contexto já que todas as outras personagens parecem-se, mais ou menos, com o original. Mas há tempo para evoluir o rapaz e talvez se pareça mais com o Patrick do filme com o passar dos episódios.
And that’s it. Estou em pulgas para acabar de ver os últimos 2 episódios já que ainda não tive tempo. E amanhã sai um novo! Yipe? idek.
E tu? Gostas de adaptações? Gostaste do filme? Já viste a serie? Opinions people! C’mon!
023: Call Girls
Aug 4
Houve ali uma época com carolinas Salgado e Soraias Chaves em Call Girl que vinha muito à baila esta questão de escorts. E não particularizando estes dois casos (apesar de ter de dizer, a todos os que ainda não viram o filme, que Call Girl é uma excelente maneira de se passar um serão à frente da televisão), tenho uma opinião diferente da que tinha antes destas meninas aparecerem.
A verdade é que, quando era mais miúda – nos meus 12-15 anos, vivia num mundo à parte do das outras pessoas. Passei, num espaço de tempo bastante curto, de ouvir Netinho (Mila «3) e Spice Girls para H.I.M. e Eminem. Não gostava das outras raparigas. Não gostava de maquilhagem e não gostava de andar às compras para trás e para a frente. Não queria saber de rapazes – mas também não queria saber de futebol nem de andar a trepar árvores (para o caso de se porem com ideias que eu era daquelas raparigas que tem a mania que é um rapaz e acaba sempre por andar com eles todos. Mas enfim, isso são outras divagações.).
O que eu gostava mesmo era de passar tempo sozinha, a ouvir música, a ver filmes, a ler e a navegar na net. Isso moldou MUITO a minha mente. De repente não existia só uma religião no mundo (wut? mas eu andei sempre em colégios católicos. como é possível as outras religiões também fazerem sentido – as much sense as a religion can make – como a católica? hmmm.), as pessoas não eram todas heterossexuais, as raparigas não eram todas chanfradas e os rapazes até sabiam falar convenientemente quando estavam online.
But I diverge…
O que eu quero dizer é que durante a minha adolescência estive rodeado de pessoas offline a dizerem-me que tudo que fosse sexo pago era mau. Que essas mulheres eram diabólicas e que não prestavam e que nada de bom sairia delas. Mas como em qualquer situação há casos e casos. E ninguém parou para me explicar que havia uma sub-secção do sexo pago que eram as acompanhantes de luxo, que saem com homens que realmente podem pagar um balúrdio para sustentar a high life delas e que são mulheres que quase escolhem essa profissão.
Pessoalmente, em termos gerais, não sou nada contra as acompanhantes de luxo. Tenho até um certo fascínio pela vida que devem levar. E falo nisto com um conhecimento desse mundo quase nulo. Isto é tudo quase utópico. Se tudo estivesse perfeito, acompanhantes de luxo continuariam a fazer sentido para mim e seriam mulheres extremamente belas que, gostando de sexo, faziam-no com homens/mulheres que pudessem pagar o esforço, num negócio em que todos os intervenientes eram beneficiados.
Uns saiam mais ricos, outros mais satisfeitos.
I don’t know about you, mas a mim parece-me bem.
E vocês, leitores? Qual é a vossa opinião sobre acompanhantes de luxo?